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Jota Jr.

Sou Jota Jr., cartunista, fanzineiro e animador. Sagitariano, cinéfilo e cinquentenário, gosto de ler, namorar, tomar banho de cachoeira e andar de bicicleta. Sou culpado pelo fanzine Caligari, animações curtíssimas e cartuns incomuns.

29
Jul17

A Expectativa do Vilão à Espera do Herói

Meu fanzine Caligari #01 apresenta uma banda desenhada antiga revisitada, classificada no Salão Internacional de Desenho de Imprensa (Brasil) nos anos 1990. Como nunca mais achei os originais - nem sei se fui reaver depois do evento - decidi redesenhar com meu estilo novo e reescrever o guião de memória. Deve ter ficado melhor.
A edição conclui com as tiras de página inteira do Vingador Mascarado, um "herói" que questiona sempre a validade de entrar em ação - e nunca entra. Pode ser pouco compreensível para quem tem pouca familiaridade com a política brasileira, mas foram parte da edição impressa e decidi mantê-las, mais como curiosidade. Confira abaixo a edição completa.
 

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Obs.: O blogspot citado logo acima ainda existe e partilha o mesmo conteúdo que este.

 

28
Jul17

Sobre mim

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Olá! Sou Jota Jr, um sujeito que nasceu no Brasil há mais de meio século. De fato, quatro meses depois do meu nascimento sucedeu o Golpe Militar de 1964. Cresci cultivando uma opinião bastante crítica em relação a militares enquanto governo, mas fascinado por histórias em quadrinhos e desenhos animados. Só que, enquanto meus amiguinhos babavam com Hannah-BarberaBugs Bunny e o Pica-pau, eu era fanático pelo Juarez Machado, Mordillo  e pelo longa A Ponta. Pra quem não conhece essas pérolas, é só clicar nos nomes que já está tudo ligado.
Minha primeira história aos quadradinhos publicada se chamava Udigrudi e era uma paródia política inspirada em Star Trek: uma nave espacial bem apertada onde tripulantes de diferentes facções políticas e ideológicas eram obrigados a se suportar. Na época eu tinha uma forte influência de Crumb, Freak Brothers e toda a galera que publicava na Zap Comics e Dope Comics. Depois de meses, os editores do jornal finalmente resolveram ler aquelas tiras com desenhos fofinhos e nunca mais publicaram nada que eu fizesse. Nos anos 1990 herdei uma copiadora e montei uma editora de fanzines (é isso mesmo que tu lestes), chamada Júpiter 2. Daí uns gajos muito feras, Alan Sieber e Sylvio Ayalla, só pra citar alguns mais notórios, rodaram seus fanzines lá. Na época fiz um curso de desenho animado que uns argentinos estavam ministrando na cidade e conheci uma turma hoje bem expressiva, como Lisandro Santos, Andrés Lieban, Jack Kaminski, Walter Pax e outros muito bons. Rodei meus próprios fanzines, alguns bem estranhos, mas o que fez mais sucesso foi Maizena, pirataria com quadrinhos muito antigos, do naipe de Sobrinhos do Capitão, Brucutu, Krazy Kat etc., tudo muito velho mesmo.
Fiquei um tempo afastado de quadrinhos e fanzinagem, me meti a ser ator, aprendi um pouco de vídeo e animação digital e, depois de rever todo meu estilo e estudar com afinco, eis meu novo fanzine, do mesmo nome do blog. Muita coisa mudou desde a última vez que me meti com banda desenhada. Conheci os trabalhos de Zdenko Basic, Shaun Tan, Alex Noriega, Etam Cru, entre outros e acabei redefinindo todo meu estilo.Tudo mudou também no que diz respeito a literatura como fonte de inspiração para as HQs: Murilo Rubião, Kafka, Borges, Garcia Marquez, Maurice Druon, Frank Baum, Maria José Dupré, Lygia Bojunga, Roald Dahl, Frances Burnett, Miriam Shlein, Frank Tashlin, Dr. Seuss, Socorro Trindad etc. me ajudaram muito a atribuir livremente todo o conteúdo e forma de que eu sentia tanta falta em minhas incursões anteriores. O resultado foi tão diverso do que eu fazia antes que me considero começando agora. Então, para começar, conheçam Caligari, meu mini-fanzine de 8 páginas. Espero que gostem.
27
Jul17

Caligari

Caligari tem uma história terrível. No início dos anos 1990 eu, uma namorada e alguns amigos fazíamos uns experimentos com HQs e fanzines. Eu tinha uma copiadora Olivetti em casa, o que facilitava muito as coisas. A maioria daquela galera eu tinha conhecido num curso de desenho animado que uns argentinos ministraram lá em Porto Alegre - minha cidade natal - e a gente queria muito editar uma revista em quadrinhos de verdade, não apenas mais um fanzine: Caligari, inspirada nas revistas em quadrinhos mais impressionantes da época, a Animal e a Chiclete com Banana. Tinha até um selo que identificava a turma: Galera do Mal. Juntamos os melhores trabalhos da turma e lá fui eu para São Paulo conferir uma roubada que um sujeito - que depois descobri que era só um idiota - tinha armado. Tive a maior despesa de viagem, fiquei hospedado numa quebrada de dar medo, a tal editora era um completo fracasso e tudo deu com os burros n'água. Falta de experiência. Todo mundo ficou muito frustrado e a turma acabou se dissipando. Mas o nome ficou na minha cabeça: Caligari, de Das Cabinet des Dr. Caligari ou, em português,  O Gabinete do Doutor Caligari, um filme alemão expressionista e mudo de 1920, dirigido por Robert Wiene. Acabei me distanciando dos quadrinhos e da fanzinagem, me envolvi com teatro e oficinas de cinema, mudei para Curitiba e depois São Paulo e a coisa toda caiu no esquecimento. Ano passado, pouquinho antes de vir para Salvador, senti aquela vontade irresistível de fazer umas bandas desenhadas e rodar uns fanzines. Meio sem jeito, fiz um remake de uma BD antiga minha, A Expectativa do Vilão à Espera do Herói, e seguiram outras, algumas tirinhas, enfim, engrenou. Longe do que deveria ter sido o projeto original, lá dos anos 1990, Caligari hoje é um simples fanzine de oito páginas, pequenino, sempre com alguns experimentos em BDs curtinhas.

 

 

Expectativa teve cenários em papercraft, que depois eram fotografados e vetorizados. Uma curiosidade sobre a Expectativa: essa HQ chegou a ser selecionada no Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto Alegre, nem lembro mais em qual ano/edição, mas depois, com tantas mudanças de endereço, acabei perdendo os originais. Era bem diferente, os personagens pareciam paródias das antigas HQs do Capitão Marvel

Assim, depois desse primeiro número de Caligari, seguiram outros, com BDs, tirinhas e experimentos. Podem ser adquiridos em Salvador, lidos online aqui mesmo no blog e tem até arquivo de impressão para download, com instruções de montagem e tudo. Tem tido uma boa repercussão e aceitação e, como fanzine, eu diria que é um sucesso. Espero que gostem.

 

 

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